Chuvas na safra 2026 acendem alerta para adequação de terreiros, secadores e sistemas de varrição antes do próximo ciclo produtivo

As chuvas atípicas registradas durante a colheita de 2026 dificultaram a secagem do café e trouxeram desafios para os produtores.
Com o ciclo chegando ao fim, o momento é de avaliar as estruturas da propriedade e iniciar os preparativos para a próxima safra, considerando terreiros, secadores, sistemas de varrição e outros equipamentos utilizados no pós-colheita.
Segundo Rogério Benassi, do Departamento Técnico da Cooxupé, a antecipação se torna ainda mais necessária diante dos atuais prazos para aquisição e entrega de equipamentos.
“Neste ano tivemos várias surpresas com problemas climáticos, inclusive muita chuva durante a colheita.
Em junho choveu praticamente o mês inteiro, o que ocasionou algumas perdas e dificultou a colheita.
Para o próximo ano, como já estamos terminando esse trabalho, temos que pensar em tudo isso antes”, explica.
Além das condições climáticas, Benassi chama a atenção para o tempo necessário entre a compra e a instalação dos equipamentos.
“Os prazos de entrega de equipamentos estão longos.
Portanto, se o produtor não fizer a compra com antecedência, pode não conseguir montar as máquinas até a safra seguinte”, orienta.
Secagem do café requer dimensionamento adequado do terreiro

O terreiro deve ser dimensionado considerando os anos de maior produção da propriedade.
Segundo Benassi, essa projeção também deve orientar a escolha de outras estruturas e equipamentos utilizados no pós-colheita.
“O terreiro deve ser projetado considerando um ano de alta produção.
O mesmo vale para o secador e os sistemas de varrição, lavagem ou despolpamento do café.
Toda essa estrutura precisa ser planejada e dimensionada de acordo com a projeção da safra”, ressalta.
A preparação da área exige atenção ainda à terraplanagem e ao direcionamento da água das chuvas.
Entre as recomendações apresentadas pelo especialista da Cooxupé está a inclinação adequada do terreiro.
“Geralmente, a terraplanagem é feita com a queda ao contrário de onde se faz o corte, para que a chuva não ocasione erosão no aterro.
A inclinação deve ficar entre 1,5% e 2%, se possível voltada para o lado do corte, e o terreiro pode ser feito em duas águas, também com queda de 1,5% a 2%”, detalha.
O formato em duas águas também pode ajudar em períodos de maior precipitação, como o registrado durante a safra de 2026.
“A importância de fazer o terreiro em duas águas é que, em uma situação de muita chuva, é possível amontoar o café no meio do terreiro e evitar que ele molhe debaixo da lona”, afirma.
Outro ponto citado por Benassi é a instalação de drenos nas extremidades do terreiro.
De acordo com o profissional, eles geralmente são feitos com manilhas e grades, o que permite o escoamento sem que o café caia na tubulação e seja levado pela água.
Varrição a seco preserva características do grão
Outra alternativa abordada pelo especialista é o sistema de varrição a seco, que vem sendo adotado por produtores para a limpeza do café recolhido do chão da lavoura.
O método dispensa o contato com a água nessa etapa.
“Esse sistema permite fazer a limpeza do café recolhido do chão sem que ele molhe.
Dessa forma, preservamos melhor o aspecto do café e evitamos que a terra que está do lado de fora passe para dentro do grão”, avisa Benassi.
Após a pré-limpeza, o produto pode seguir para o terreiro ou diretamente para o secador, o que torna mais ágil a sequência das etapas.
“É um sistema que vem inovando a limpeza do café e ao qual os produtores estão aderindo bastante.
Como o produto não molha, assim que sai da pré-limpeza pode passar pelo terreiro ou ir direto para o secador.
É um processo mais rápido, além de trazer mais qualidade para os cafés de varrição”, destaca.
Produtor deve se antecipar para a próxima safra
A Cooxupé conta com uma equipe técnica para auxiliar os cooperados no dimensionamento e nos projetos das estruturas necessárias para a safra seguinte.
Para que haja tempo hábil para definir as necessidades da propriedade e realizar as adequações, a orientação é iniciar esse trabalho após o término da safra atual.
“Logo após a colheita, procure as lojas da cooperativa para agendar as visitas e fazer o dimensionamento e os projetos para a próxima safra”, orienta Benassi.
A preparação antecipada da estrutura de secagem do café permite avaliar as necessidades da propriedade e organizar as adequações antes do início do próximo ciclo.
A seguir, confira este episódio do Cooxupé em Foco e saiba mais sobre o dimensionamento de terreiros e o sistema de varrição a seco.
Por Hub do Café
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