E se o algoritmo disser que sua fazenda desmatou – e estiver errado?

Plataforma Agro Brasil+Sustentável testa conformidade com a EUDR e levanta alerta sobre erros em análises ambientais Teste de conceito da ferramenta pública 💻 demonstra agilidade na verificação de dados territoriais, mas especialistas destacam a necessidade de mecanismos auditáveis para contestar falsos bloqueios de propriedades. A nova Plataforma Agro Brasil+Sustentável (AB+S) passou por testes de campo na cadeia da carne para avaliar o cumprimento do Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento (EUDR), processando propriedades regulares em aproximadamente dois minutos. Apesar da rapidez na integração de bases oficiais como o CAR, o estudo assinado pelo especialista Luís Eduardo Pacifici Rangel ressalta a complexidade burocrática e o risco dos "falsos positivos", quando algoritmos classificam indevidamente fazendas regulares como não conformes. O relatório enfatiza que o uso de dados públicos nacionais, como PRODES e TerraBrasilis, assegura a soberania tecnológica do Brasil, mas exige métodos transparentes, auditáveis e de fácil contestação para proteger o acesso dos produtores aos mercados globais. #JFPNoticias #MonteSantodeMinas #Noticias #AgroBrasilSustentavel #EUDR #RastreabilidadeNoAgro #Agronegócio #TecnologiaNoCampo

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Teste da Agro Brasil+Sustentável mostra avanços diante da EUDR e levanta questões sobre possíveis erros na análise das propriedades

A Plataforma Agro Brasil+Sustentável (AB+S) representa um avanço importante na resposta brasileira às novas exigências ambientais do comércio internacional.

No recente teste de conceito realizado na cadeia da carne, propriedades sem restrições aparentes tiveram seus relatórios processados em cerca de dois minutos.

É um resultado relevante: dados públicos brasileiros podem, sim, ser organizados para demonstrar conformidade à EUDR.

Mas o teste revelou algo mais interessante do que a velocidade do sistema. Dois minutos de processamento não significam dois minutos de burocracia. GOV.BR, CPF, CNPJ, documentos, CAR, GTA e diferentes atores precisaram ser mobilizados para reconstruir a cadeia.

A tecnologia funcionou, mas ainda depende de uma considerável engenharia institucional para chegar ao produtor e operar em escala.

Quando o algoritmo aponta uma não conformidade

Há, porém, uma questão ainda mais sensível.

O que acontece quando a plataforma diz “não conforme”?

Um falso negativo é evidentemente grave: deixa passar quem não deveria. Mas um falso positivo também tem consequências concretas.

Uma propriedade regular classificada como irregular pode enfrentar bloqueio comercial, custos adicionais e a obrigação de provar uma regularidade que já possuía.

Esse problema merece atenção porque sistemas de monitoramento territorial, por melhores que sejam, não são sinônimo de decisões individuais infalíveis.

A divergência pode estar no satélite, mas também no polígono autodeclarado do CAR, em uma sobreposição, na data atribuída à supressão, na atualização das bases ou na própria regra do algoritmo. Dado oficial não pode significar sentença automática.

É justamente aqui que a próxima etapa da AB+S pode ser ainda mais interessante. Precisamos saber quantos imóveis foram corretamente aprovados, corretamente bloqueados, indevidamente aprovados e indevidamente bloqueados.

Em termos estatísticos, precisamos conhecer sensibilidade, especificidade e valores preditivos.

Em termos muito mais simples: se a plataforma disser que minha fazenda tem um problema, qual é a probabilidade de ela estar certa?

Dados brasileiros e o desafio da soberania

O Brasil tem uma vantagem extraordinária nessa discussão. PRODES, TerraBrasilis, TerraClass e outras bases representam décadas de investimento público em conhecimento territorial.

Utilizar dados nacionais para demonstrar a conformidade de nossa produção é uma questão de competência técnica e também de soberania de dados.

Não faz sentido que um dos países que mais conhece seu território dependa exclusivamente da interpretação de terceiros para dizer ao mundo o que acontece dentro de suas propriedades.

Mas soberania não significa pedir confiança cega em nossos mapas.
Significa exatamente o contrário: abrir métodos, medir erros, permitir auditoria e oferecer mecanismos rápidos de contestação.

A melhor defesa dos dados brasileiros não é afirmar que eles nunca erram; é demonstrar que sabemos identificar e corrigir quando erram.

O teste de conceito mostrou que a AB+S funciona. Agora começa o teste realmente interessante: fazê-la funcionar em escala, com menos burocracia, interoperabilidade, rastreabilidade e decisões auditáveis.

Porque, quando a EUDR encontra uma fazenda de verdade, já não estamos discutindo apenas pixels e polígonos. Estamos discutindo produtores, contratos e acesso a mercados.Nota: Este artigo foi elaborado a partir dos resultados do teste em campo da Plataforma Agro Brasil+Sustentável (AB+S), realizado para avaliar sua aplicação às exigências do Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento (EUDR).

O estudo completo, Agro Brasil+Sustentável: como demonstrar conformidade à EUDR usando a plataforma pública, está disponível (clique aqui).

Por Luís Eduardo Pacifici Rangel em 17/09/2026

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Tecnologia e EUDR no agro

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