Confira como o produtor identifica o potencial de um café especial em um único talhão

Do talhão ao Especialíssimo: entenda como o produtor identifica e produz cafés de alta qualidade Especialista da SMC e cooperado da Cooxupé ☕ explicam a importância de observar cada lote, da escolha da variedade ao controle da pós-colheita. A produção de um café especial começa bem antes do recebimento do lote na cooperativa. Segundo especialistas da SMC Specialty Coffee e cafeicultores premiados no programa Especialíssimo, a identificação do potencial do grão ocorre diretamente no campo, combinando genética, ambiente e manejo apropriado. A atenção a cada talhão, observando fatores como maturação uniforme, irrigação e insolação, somada a um rigoroso controle no processo de secagem e lavagem, garante a preservação dos atributos sensoriais da bebida. Na safra 2026, os cooperados da Cooxupé mantêm os cuidados pós-colheita para concorrer à premiação do Especialíssimo, reafirmando a força e o rigor da cafeicultura de Minas Gerais. #JFPNoticias #MonteSantodeMinas #Noticias #CafésEspeciais #Especialíssimo #Cooxupé #SMCCoffees #ManejoDeLavoura

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Antes de chegar ao Especialíssimo, a qualidade começa na propriedade e é trabalhada pelo produtor desde a escolha da variedade até a pós-colheita

O que diferencia os cafés especiais que chegam ao Especialíssimo? A resposta começa muito antes da chegada do lote à Cooxupé.

Em uma mesma propriedade, diferentes variedades, condições de solo, altitude, exposição ao sol e o histórico de produção podem fazer com que determinados talhões apresentem resultados diferentes.

Para o produtor, perceber essas diferenças é parte do trabalho de entender a própria lavoura, identificar o potencial de um café especial e reconhecer quais cafés merecem cuidados específicos para preservar suas características.

Na produção de cafés especiais, esse olhar começa ainda no campo.

Segundo Felipe Miranda, engenheiro agrícola da área de Desenvolvimento de Cafés Especiais da SMC Specialty Coffee, a qualidade resulta da combinação entre genética, ambiente e processo.

“Existem fatores muito inerentes à genética e ao local. Cada genética vai carregar um potencial, e essa interação entre genética, ambiente e processo vai produzir uma qualidade final”, explica.

É por isso que conhecer o comportamento de cada área da propriedade pode fazer diferença.

Talhões com variedades diferentes ou submetidos a condições distintas de solo, altitude e clima podem apresentar resultados também diferentes. O histórico das safras ajuda o produtor a reconhecer essas características e direcionar os cuidados.

“Dentro de uma propriedade existem locais e variedades diferentes, na maioria das vezes.

Então, o produtor precisa ficar muito atento no histórico e trabalhar sempre buscando uma preparação para conseguir identificar quais os lotes, quais os talhões vão ser os cafés com maior aptidão, com maior potencial para produzir café de qualidade”, afirma Felipe.

O potencial de um café especial dá sinais no campo

No Sítio Maranhão, em Santana de Caldas (MG), o cooperado Josiel Betti aprendeu a fazer essa leitura ao longo da própria experiência.

A família cultiva variedades como Catucaí Amarelo, Catuaí Vermelho, Mundo Novo e Icatu, mas é no Catucaí Amarelo que identifica os resultados mais consistentes na produção de cafés de qualidade.

A observação começa antes da colheita. Josiel acompanha a uniformidade da maturação, a aparência dos frutos, a exposição ao sol e outros sinais que ajudam a entender o comportamento de cada talhão.

O histórico das áreas completa a leitura: depois de algumas safras, é possível saber quais locais costumam entregar determinadas características. “É você prestar atenção no café, ver o café”, resume.

Quando esse potencial é percebido, alguns cuidados podem ser ajustados.
A própria escolha do momento da colheita e do processamento passa a considerar as características daquele lote.

Para Felipe, no entanto, não existe uma etapa isolada capaz de garantir um café de qualidade, ou seja, o trabalho começa com a condição da lavoura e segue até a pós-colheita.

“Não adianta nada eu ter lavouras depauperadas, lavouras com doenças e mal-nutridas.

Eu não vou ter a melhor matéria-prima possível para fazer um bom pós-colheita, um bom preparo desse café”, completa.

Manejo nutricional, cuidados fitossanitários e acompanhamento da lavoura são, portanto, parte da preparação do café que será colhido.

Depois, entram as decisões relacionadas ao processamento, à secagem e ao armazenamento.

Cada lote pode responder de um jeito

Foi justamente na etapa pós-colheita que Josiel percebeu algumas das principais mudanças trazidas pela experiência com cafés especiais.

A secagem passou a receber um acompanhamento mais próximo, desde a passagem pelo lavador e pela separação até o terreiro e o secador.

A família mantém os terreiros limpos, troca diariamente a água utilizada na lavagem e separa frutos que tiveram contato com o chão para evitar que retornem ao lote principal. Na secagem, o acompanhamento também varia conforme o café.

A experiência mostrou que não basta aplicar o mesmo procedimento para toda a produção.

“Esse talhão aqui, ele reage de um jeito no secador, o outro reage de outro jeito, esse café seca mais rápido do que aquele café”, conta Josiel.
É uma diferença que, segundo ele, passou a ser percebida com a observação dos próprios lotes.

O café é movimentado e acompanhado durante a secagem, com atenção à temperatura, à umidade e ao ponto adequado para cada lote.

O engenheiro Felipe destaca a secagem entre as etapas mais importantes para a preservação da qualidade.

O processo exige controle para evitar que o café perca características obtidas ainda na lavoura.

A condução adequada também contribui para a conservação do grão durante o armazenamento.

“O trabalho continua, ou seja, não parou na colheita. Eu ainda tenho que dar o toque final nesse café para que ele consiga chegar ao seu máximo potencial de qualidade”, afirma.

O potencial de um café especial começa a ser identificado ainda na lavoura (Foto: Divulgação)

Conhecer o café também é aprender com ele

A participação da família Betti no Especialíssimo começou em 2022. Desde então, os cafés produzidos pela família alcançaram diferentes reconhecimentos.

Josiel ficou em nono lugar em 2022; em 2023 e 2025, a família esteve entre os 50 melhores cafés; e, em 2024, seu irmão, Jefferson Betti, conquistou o terceiro lugar.

Os resultados vieram acompanhados de mudanças no modo de olhar para a produção.

A atenção aos talhões, à secagem e às diferenças entre os lotes passou a fazer parte da rotina da família a cada nova safra.

É também nesse processo que a assistência técnica e a busca por conhecimento ganham espaço.

Felipe destaca que o produtor pode recorrer às equipes da Cooxupé e da SMC Specialty Coffee para conhecer técnicas, acompanhar a lavoura e encontrar alternativas que façam sentido para a realidade de cada propriedade.

“É muito importante que o nosso cooperado busque inovação, conhecimento para que ele consiga aplicar dentro da propriedade manejos e técnicas, boas práticas que vão garantir para ele uma melhor rentabilidade.

Consequentemente, ele vai conseguir resultados bem expressivos em qualidade”, ressalta.

Do talhão ao Especialíssimo

Criado em 2016 para identificar cafés especiais entre os lotes recebidos pela Cooxupé, o Especialíssimo reúne ações de desenvolvimento, assistência técnica e reconhecimento dos cafés produzidos pelos cooperados, com premiações e ranking dos melhores lotes realizados desde 2019.

Ao longo do ano, a Cooxupé e a SMC Specialty Coffee oferecem palestras, cursos, acompanhamento técnico e atividades voltadas à produção de cafés especiais.

A participação no programa, porém, começa muito antes.

Não há uma inscrição convencional: para participar, o café precisa ser da safra atual, atender aos padrões técnicos definidos pelo programa e cumprir os requisitos socioambientais e operacionais estabelecidos para a safra.

Em 2026, os lotes destinados à premiação dos 50 melhores cafés precisam ser depositados na Cooxupé até 3 de outubro e comercializados com a SMC até 9 de outubro. Também, entre as exigências, estão o volume mínimo de 10 sacas de 60 kg, critérios de sustentabilidade e requisitos relacionados ao relacionamento cooperativista.

A premiação é o reconhecimento de uma produção que começa muito antes da chegada do café à cooperativa.

Em muitos casos, os primeiros sinais estão ali mesmo, na propriedade, em uma variedade que apresenta determinado comportamento, em um talhão que historicamente entrega um café diferente ou na experiência de quem aprendeu a perceber essas características antes mesmo de o lote ser comercializado.

E é justamente aí que começa o trabalho com os cafés especiais.

Por Hub do Café

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Potencial do café especial

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