Encontro da Cooxupé reuniu mais de 150 participantes em Guaxupé para discutir tecnologias, planejamento e produção em áreas declivosas

A Cooxupé promoveu, em Guaxupé (MG), o 1º Encontro Técnico de Cafeicultura de Montanha, com mais de 150 participantes.
Realizado em parceria com o Centro de Validação Tecnológica (CVT), o evento abordou planejamento, mecanização e tecnologias voltadas à produção em áreas declivosas.
O encontro reuniu cooperados, produtores rurais, equipe técnica, pesquisadores, professores, profissionais do setor e representantes de empresas ligadas à atividade.
Senar, Epamig, IBGE, UFLA, Emater e IFSULDEMINAS estiveram entre as instituições presentes.
Cafeicultura de montanha passa por processo de modernização
A programação aproximou diferentes elos envolvidos no desenvolvimento de soluções para propriedades localizadas em terrenos declivosos.
Para Mário Ferraz de Araújo, gerente de Desenvolvimento Técnico da Cooxupé, o evento representa a concretização de um projeto voltado a tornar mais acessíveis conhecimentos que ainda estão concentrados entre poucos profissionais e instituições.
“A cafeicultura de montanha passa por um processo de modernização e, para que isso aconteça, temos que disseminar essas informações.
Este primeiro encontro é um momento para começar a democratizar as tecnologias que estamos desenvolvendo junto ao Instituto Federal do Sul de Minas, por meio do CVT, aqui na Fazenda Experimental em Guaxupé”, afirma.
A iniciativa também busca aproximar o conhecimento desenvolvido nas pesquisas dos profissionais e produtores que atuam em áreas de montanha.
“É a concretização de um sonho que a gente tinha: reunir instituições de pesquisa, sob a liderança da Cooxupé, para disseminar um conhecimento que ainda está na mão de poucos”, destaca Araújo.
Pesquisa acompanha evolução do terraceamento
Um dos trabalhos apresentados durante o encontro é conduzido em uma área experimental para estudar diferentes etapas da implantação e do terraceamento.
A proposta é construir um protocolo que possa orientar o cafeicultor na condução mais eficiente das propriedades de montanha.
Felipe Campos Figueiredo, coordenador do CVT, explica que a área já passou pela sistematização e padronização do terreno, incluindo a retirada de algumas moitas de pedras, suavização do microrrelevo, marcação das linhas e plantio.
“Estamos construindo um protocolo para que o produtor, futuramente, possa ter uma noção de como começar e dar continuidade a uma cafeicultura de montanha eficiente, valorizando a terra e a produção e aumentando a produtividade em áreas que hoje são consideradas marginais, mas que têm muita fertilidade e podem apresentar uma produtividade muito boa para o café”, ressalta.
O acompanhamento será feito de forma gradual.
A intenção é terracear 30% da área na primeira etapa, outros 30% no ano seguinte e mais 30% no terceiro ano.
Os 10% restantes serão mantidos sem terraceamento como testemunha, com o objetivo de comparar os resultados e avaliar qual é o melhor momento para iniciar a intervenção.
“A intenção é que cada etapa desse processo de evolução do terraceamento e de otimização do café de montanha possa ser apresentada em eventos como este.
Assim, conseguimos acompanhar esse desenvolvimento ao longo do tempo”, afirma Figueiredo.
Terraceamento abre caminho para a mecanização

A adequação do terreno é um dos pontos fundamentais para viabilizar o uso de máquinas em locais onde a declividade limita as operações.
De acordo com André Reis, engenheiro agrônomo da Makreis, o terraceamento busca criar condições para o trânsito de equipamentos em áreas onde isso não seria possível originalmente.
“A finalidade principal do terraceamento é a mecanização.
Trabalhamos em topografias de 40%, onde não conseguimos passar com trator ou colhedora, e fazemos os platôs entre as ruas para permitir a entrada das máquinas.
Mas precisamos seguir diversos critérios para construir de forma correta e ter sucesso nessa etapa”, detalha.
A solução também está relacionada a dois desafios apontados pelo engenheiro agrônomo: disponibilidade de mão de obra e custos de produção.
“Hoje, a dificuldade da cafeicultura de montanha passa pela mão de obra e pelo alto custo.
Com essas padronizações e a construção dos terraços, conseguimos buscar melhores condições para essa produção”, afirma Reis.
Tecnologia pode contribuir para eficiência nas propriedades
Além de criar novas possibilidades operacionais, a sistematização das áreas de montanha pode trazer reflexos para a gestão da propriedade.
Para Osvaldo Bachião Filho, vice-presidente da Cooxupé, o projeto apresenta possibilidades relacionadas à redução de custos, ao desempenho operacional e à produtividade.
“É muito importante discutir operações dentro da propriedade que tragam oportunidades de economia.
Esse projeto de sistematização da montanha para o plantio e a implantação da lavoura de café traz a possibilidade de redução significativa de custos, de um resultado operacional melhor e, principalmente, de aumento do potencial de produtividade”, reitera.
Segundo ele, compartilhar esse conhecimento com os técnicos é um caminho para que as tecnologias e possibilidades relacionadas à mecanização de montanha cheguem aos cooperados.
“O que estamos tentando fazer é semear esse conhecimento entre os técnicos para que eles consigam apresentar aos nossos cooperados as possibilidades de cada propriedade e, ao longo dos anos, buscar o que há de mais tecnológico do ponto de vista da mecanização de montanha”, conclui o vice-presidente.
A seguir, confira o novo episódio do Cooxupé em Foco e saiba mais sobre o 1º Encontro Técnico de Cafeicultura de Montanha.
Por Hub do Café
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