Queda de 96% em dois anos

Estado foi atingido por fortes temporais que deixaram ao menos 30 pessoas mortas nos municípios de Juiz de Fora e Ubá

As despesas do governo de Minas Gerais na infraestrutura de combate aos impactos das chuvas decaíram de cerca de R$ 135 milhões para R$ 6 milhões entre os anos de 2023 e 2025, segundo dados do Portal de Transparência do estado.
Desde essa terça-feira, os temporais que atingiram os municípios de Juiz de Fora e Ubá deixaram ao menos 36 mortos e 33 desaparecidos. Outras 208 pessoas foram resgatadas com vida.
Na análise, o GLOBO buscou pelos programas do governo incluindo os ligados ao Gabinete Militar, que administra a Defesa Civil e considerou todas as rubricas que faziam menção à palavra “chuvas”.
No portal, os investimentos estão descritos com a descrição de “suporte às ações de combate e resposta aos danos causados pelas chuvas” e são divididos entre as despesas de gestão de desastre e de atendimento, de mitigação de danos gerais e pontuais provocados nas rodovias, além da prevenção de eventos meteorológicos críticos.
Em 2023, os dados indicam que o governador destinou cerca de R$ 134,8 milhões para esse segmento.
Desde então, o valor pago decaiu para R$ 41,1 milhões em 2024 e R$ 5,8 milhões em 2023. Já neste ano, durante os dois últimos meses, a administração estadual havia destinado R$ 16.100 para a infraestrutura de combate aos temporais.
Queda de 96%
Em dois anos, governo Zema reduziu de R$ 135 milhões para R$ 6 milhões a verba de prevenção contra chuvas

Os dados sob essas rúbricas do primeiro mandato do atual governador, Romeu Zema (Novo), que se estendeu entre os anos de 2019 a 2022, não estão disponíveis no Portal de Transparência.
Procurada sobre a razão da queda nos valores pagos, a administração estadual não respondeu aos questionamentos levantados pela reportagem até o fechamento desta matéria.
Depois dos temporais que atingiram municípios do estado ao longo dos últimos dias, o vice-governador, Mateus Simões (PSD), anunciou na terça, durante uma entrevista coletiva, a destinação de R$ 38 milhões a Juiz de Fora e R$ 8 milhões para Ubá como forma de fortalecer o combate às tempestades nos municípios atingidos. Na ocasião, Zema também informou que equipes do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (CREA) serão deslocadas para as cidades para mapear todas as áreas de risco. Além disso, técnicos da Companhia de Saneamento Básico do estado (Copasa) e carretas humanitárias estavam previstas para chegar nas cidades ainda na terça-feira.
— Fiz questão de me deslocar até Juiz de Fora. Eu estava no Noroeste de Minas Gerais. Tão logo tomamos conhecimento da gravidade das ocorrências aqui, ainda de madrugada, determinei ao coronel Rezende, nosso chefe da Defesa Civil, que empenhasse todos os esforços possíveis no sentido de tentarmos salvar o maior número de pessoas — afirmou Zema.
O governo federal também reconheceu o estado de calamidade pública decretado pela prefeitura de Juiz de Fora. Por meio das redes sociais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se solidarizou com a população e informou que uma equipe de coordenação da Força Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS) está a caminho e que a Defesa Civil Nacional trabalha em alerta máximo.
Diante da previsão de novas chuvas nesta quarta-feira, a Defesa Civil determinou ainda na terça a evacuação completa de 24 ruas em quatro bairros de JF, com estimativa de retirada de cerca de 600 famílias. As áreas evacuadas ficam nos bairros Três Moinhos, Vila Ideal, Esplanada e Paineiras. No Três Moinhos, a orientação é para que moradores deixem as ruas Maria Florice dos Santos, João Luzia, José de Castro Ribeiro, José Luiz Flores, Manoel Clemente, Vicente Paulo Bacelar e Natalina de Andrade Guerra.
Fonte: O Globo
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