Paiva Netto

Sobre o amplo sentido do versĂculo 19 do capĂtulo 2 do Apocalipse de Jesus, no qual o Divino Mestre demonstra valer-se dos Seus olhos como chama de fogo para realmente ver quem nĂłs somos na intimidade, em Jesus e as Sete Igrejas da Ăsia â Tiatira, a Academia Jesus, o Cristo EcumĂȘnico, o Divino Estadista, transcreveu, por oportuno, meus comentĂĄrios durante um programa radiofĂŽnico da sĂ©rie âLiçÔes de Vidaâ, de 11 de novembro de 1987 (quarta-feira). Nele, apresentei um texto do livro Lendas do CĂ©u e da Terra, de autoria de Malba Tahan, intitulado âO dragĂŁo de SĂŁo Jorgeâ e fiz uma importante reflexĂŁo sobre o processo de melhoria individual â exaltado pelo Mestre aos Seus seguidores em Tiatira â para alcançarmos a pureza de coração das crianças:
O dragĂŁo de SĂŁo Jorge
Malba Tahan
Havia na velha igreja de Santo Afonso, em Madri, um grandioso quadro em que SĂŁo Jorge guerreiro, com suas armas de combate, matava um enorme dragĂŁo. Observava-se, porĂ©m, uma particularidade espantosa: o dragĂŁo tinha o mesmo rosto de SĂŁo Jorge! O observador percebia, claramente, que o quadro, afinal, representava o glorioso santo vencendo-se a si mesmo. A inspiração do artista quis retratar o coração de um homem transformado pela misericĂłrdia de Nosso Senhor Jesus Cristo, vencendo o velho coração que vivera no erro, na ignomĂnia, escravizado pelo pecado [ou ignorĂąncia, como quiserem dizer; o desaparecimento do homem velho dando lugar ao nascimento do homem novo, liberto pelo Amor do Novo Mandamento do Cristo â âAmai-vos como Eu vos ameiâ (Evangelho, segundo JoĂŁo, 13:34) â e pelo conhecimento da Verdade Divina â âConhecereis a Verdade [de Deus], e a Verdade [de Deus] vos libertarĂĄâ (Boa Nova, segundo JoĂŁo, 8:32)].
O dragĂŁo ali figurava como sĂmbolo e representava o velho coração de Jorge antes da conversĂŁo ao cristianismo â coração cheio de vĂcios, de egoĂsmo, de ignorĂąncia e de vaidade; a figura de SĂŁo Jorge, ao lado do dragĂŁo, em atitude vitoriosa, mostra-nos o coração regenerado, que, iluminado pelo poder de Jesus, pĂŽde vencer e matar o dragĂŁo do erro.
Convém ponderar que outro erro ou engano em que ainda incorremos é o de pensar que todo tempo empregado em combater a tentação é tempo perdido. As horas passam e parece-nos que nenhum progresso fazemos, de tal forma nos vemos bloqueados por tentaçÔes. Mas sucede, muitas vezes, que justamente nestas horas temos, de fato, servido a Deus muito melhor do que nos momentos de relativa calma, em que nos julgamos isentos de pecado. Porque, quando lutamos contra a tentação, é que combatemos as batalhas do Senhor. E horas tais valem para nós, muitas vezes, por dias inteiros.
Eis aĂ a lição do ilustre matemĂĄtico e escritor brasileiro JĂșlio CĂ©sar de Mello e Souza (1895-1974), cujo pseudĂŽnimo era Malba Tahan. Ă bom ter isso em mente quando toda a humanidade se aproxima do momento da quitação dos seus erros antigos, milenares. NĂŁo estamos aqui tentando apavorar ninguĂ©m. Ă aquela histĂłria: Quem semeia ventos colhe tempestades, ora!
NĂŁo querem ser livres, fazer o que bem entender?! Ătimo! Mas liberdade depreende responsabilidade tambĂ©m. No livro ReflexĂ”es e Pensamentos â DialĂ©tica da Boa Vontade (1987), encontra-se este meu pensamento: Ser livre Ă© mais difĂcil do que ser escravo⊠Por isso, tantos preferem se acomodar⊠TĂȘm medo de pensar⊠E muita gente que pensa, nĂŁo pensaâŠ
Lembro-me do velho Descartes (1596-1650), que concluiu: âCogito, ergo sumâ (Penso, logo existo.)
Mas o prĂłprio filĂłsofo francĂȘs poderia ter refletido melhor para que o seu cogito nĂŁo abanasse a chama do materialismo, tĂŁo firmado apenas no pensamento chamado âracionalâ. EntĂŁo, mesmo sendo indispensĂĄvel, sĂł a razĂŁo nĂŁo basta. JĂĄ afirmara ConfĂșcio (551-479 a.C.) que tudo na vida Ă© reciprocidade, como encontramos neste diĂĄlogo dele com seus seguidores, registrado nos Analectos, Livro 4, capĂtulo 15: âConfĂșcio disse: âShen (Zengzi), minha doutrina estĂĄ toda entrelaçada por um Ășnico fio condutorâ. Zengzi respondeu: âDe fatoâ. Depois que ConfĂșcio partiu, os outros discĂpulos perguntaram: âO que ele quis dizer?â Zengzi respondeu: âA doutrina do Mestre se baseia na lealdade e na reciprocidade; Ă© issoââ.
Sempre menciono o ditado popular de que toda moeda tem duas faces. AliĂĄs, costumo dizer a meus assistentes que ela, na verdade, possui vĂĄrios lados. Ao seu pensamento, Descartes esqueceu de somar o coração. Teria ele de completar: âAmo e penso, logo existoâ.
Estamos falando do Amor de Deus e nĂŁo daquele comumente confundido com acesso livre a infecçÔes sexualmente transmissĂveis. O Amor Divino cria e eleva os mundos e os seres que habitam neles. Ă a Ășnica força capaz de redimir o ser humano.

paivanetto@lbv.org.br â www.boavontade.com
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Liberdade espiritual verdadeira






