Clima em abril: chuvas irregulares e temperaturas elevadas

Calor e chuvas irregulares acendem alerta nas lavouras Análise técnica da Cooxupé mostra redução de água no solo e exige atenção redobrada dos produtores com o manejo fitossanitário e o planejamento da colheita 🏠 O comportamento climático do outono trouxe novos desafios para a cafeicultura de Monte Santo de Minas e região. O relatório mensal divulgado pelo Departamento de Geoprocessamento da Cooxupé apontou que o mês de abril foi marcado por temperaturas acima da média histórica e precipitações bastante irregulares. Enquanto alguns municípios mineiros registraram temporais isolados, Monte Santo de Minas figurou entre os menores volumes de chuva, acumulando apenas 25,0 mm. Essa escassez reduziu a disponibilidade hídrica do solo para níveis que variam entre 35,6% e 77,5% da capacidade máxima, gerando estresse hídrico nas plantas e forçando o cafezal a gastar uma energia preciosa que deveria ser canalizada para o crescimento dos ramos e a formação das gemas da próxima safra. #JFPNoticias #MonteSantodeMinas #Noticias #ClimaNoCampo #Cooxupé #Cafeicultura #DéficitHídrico #Safra2026 #ManejoAgrícola #MinasGerais

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Análise da Cooxupé destaca impactos no armazenamento de água no solo, atenção ao pós-colheita e monitoramento do possível cenário de El Niño

O mês de abril de 2026 contou com chuvas irregulares e mal distribuídas, redução da disponibilidade hídrica no solo e temperaturas próximas ou ligeiramente acima da média histórica em grande parte da área monitorada pela Cooxupé. É o que informa o Departamento de Geoprocessamento da cooperativa.

De acordo com a análise, diversos municípios registraram precipitações abaixo da média histórica, exceto Cabo Verde, Campos Gerais, Carmo do Rio Claro, Guaxupé e São Pedro da União, no Sul de Minas, que permaneceram com volume acumulado acima da média para o período.

Os menores volumes ocorreram em Rio Paranaíba (11,0 mm) e Coromandel (12,4 mm), no Cerrado Mineiro, seguidos por Monte Santo de Minas (25,0,) no Sul de Minas. Por outro lado, Carmo do Rio Claro registrou o maior volume de chuva, com 131,0 mm, seguido por Manhuaçu (97,8 mm), nas Matas de Minas, e Serra do Salitre (75,6 mm), no Cerrado Mineiro. As precipitações apresentaram distribuição irregular ao longo dos três decêndios do mês, concentrando-se principalmente no primeiro decêndio.

Chuvas irregulares e armazenamento de água no solo

Embora tenham sido registradas chuvas em alguns municípios, os volumes observados não foram suficientes para sustentar adequadamente o armazenamento de água no solo. Em todos os municípios monitorados, verificou-se redução da disponibilidade hídrica, com o armazenamento variando entre 35,6% e 77,5% da capacidade máxima do solo.

As chuvas abaixo da média, somadas à redução do armazenamento de água do solo, refletiram diretamente no aumento do déficit hídrico registrado. Todos os municípios monitorados apresentaram o problema, com destaque para Rio Paranaíba, que registrou 35,6 mm. O déficit hídrico é um indicador importante do estresse ao qual as plantas foram submetidas, resultando em maior gasto energético para manutenção fisiológica. Parte dessa energia poderia estar sendo utilizada no desenvolvimento vegetativo, crescimento de ramos e diferenciação das gemas produtivas da próxima safra.

Excedente hídrico e manejo do solo

Mesmo com a redução das precipitações em parte da área monitorada, alguns municípios registraram excedente hídrico. Carmo do Rio Claro apresentou excedente hídrico de 72,6 mm, seguido por Manhuaçu (60,2) e Cabo Verde (45,3). A situação corresponde ao volume de água que excede a capacidade de infiltração e armazenamento do solo, favorecendo escoamento superficial, erosão hídrica e potencial perda de nutrientes por lixiviação.

Diante desse cenário, o Departamento de Geoprocessamento da Cooxupé reforça a importância da adoção de práticas conservacionistas de manejo do solo, incluindo manutenção de cobertura vegetal nas entrelinhas do cafeeiro, manejo de plantas de cobertura e redução da exposição do solo.

Temperaturas acima da média

As temperaturas permaneceram acima da média histórica na maior parte dos municípios monitorados, com médias mensais variando entre 20,9 °C e 24,2 °C. As maiores temperaturas de abril foram registradas em Manhuaçu e São José do Rio Pardo, onde os termômetros atingiram 32,2 °C. Por outro lado, Cabo Verde registrou a menor temperatura do mês, com 10,8 °C.

No fim do mês de abril, as lavouras estavam na fase final de granação e no período de maturação dos frutos, inclusive em todos os municípios com registro de ETP próximo a 700 mm a partir de outubro de 2025, indicador da maturação fisiológica dos frutos.

Paralelamente à fase reprodutiva, continua ocorrendo o crescimento vegetativo das lavouras, em menor taxa de crescimento devido à redução de temperatura e redução da disponibilidade de água. Tudo isso demanda equilíbrio nutricional e energia para manutenção dos processos fisiológicos da planta. Diante desse cenário, o departamento orienta aos produtores atenção especial ao manejo fitossanitário das lavouras, principalmente em áreas de pós-colheita.

Atenção à qualidade do café colhido e ao pós-colheita

Para a safra 2026, o cenário ainda exige atenção, especialmente quanto à qualidade do café colhido. Apesar do bom potencial observado nas fases anteriores, a maior umidade no inverno pode dificultar a secagem e favorecer fermentações indesejáveis, principalmente quando no atraso de colheita, transporte ou processamento do café. Por isso, será fundamental reforçar o planejamento da colheita, a separação dos lotes e o manejo adequado da secagem.

Olhando para a safra 2027, é necessário reforçar os cuidados no pós-colheita, pois este período será determinante para a recuperação das plantas, formação de reservas e preparação para a próxima florada. Atenção ao estado nutricional, à sanidade das lavouras, ao enfolhamento e ao manejo adequado após a retirada da safra será fundamental para sustentar o potencial produtivo do próximo ciclo.

Possível cenário de El Niño

Além disso, o Departamento de Geoprocessamento explica que é preciso acompanhar com atenção o possível cenário de El Niño. De modo geral, esse fenômeno tende a aumentar os volumes de chuva na região Sul e reduzir as chuvas em áreas mais ao Norte do país. Já para o Sudeste e o Centro-Oeste, os efeitos costumam estar associados à maior irregularidade das chuvas, possibilidade de inverno mais úmido e tendência de temperaturas acima da média, como observado no ciclo 2023/2024.

Esse ambiente pode favorecer a ocorrência de doenças fúngicas e bacterianas, pedindo maior atenção ao monitoramento das lavouras e ao posicionamento correto dos manejos.

Há também possibilidade de antecipação das chuvas a partir de agosto, o que reforça a necessidade de planejamento no pós-colheita, evitando a sobreposição de fases importantes, como colheita, manejo de recuperação das plantas e início do período de pré-florada. Nesse contexto, as aplicações via drone podem ser uma boa alternativa, principalmente em períodos de escassez de mão de obra e maior concentração de máquinas e equipes nas operações de colheita.

Na página da Cooxupé estão disponíveis para consulta todos os dados coletados pelas estações meteorológicas da cooperativa.

Distribuição de chuvas em abril 2026

  • Sul de Minas
  • Cerrado Mineiro

Distribuição de temperatura em abril 2026

  • Sul de Minas
  • Cerrado Mineiro

Distribuição de déficit hídrico em abril de 2026

  • Sul de Minas
  • Cerrado Mineiro

Distribuição de armazenamento de água no solo em abril de 2026

  • Sul de Minas
  • Cerrado Mineiro

Por Hub do Café

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Clima afeta lavouras café

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